O Datafolha ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril de 2026, em 137 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Pesquisa registrada no TSE: BR-03770/2026.

Conhecimento e opinião sobre suspeitas envolvendo ministros do STF
– 55%: Tiveram conhecimento das suspeitas e acreditam que há ministros do STF envolvidos no caso Banco Master.
– 4%: Souberam do caso, mas não acreditam em participação de membros do tribunal.
– 10%: Souberam do caso, mas não sabem dizer se há envolvimento.
– Total com conhecimento: 69% dos entrevistados já ouviram falar das suspeitas.
– 30%: Não tiveram nenhum conhecimento sobre o tema. A esse grupo não foi perguntado se acreditam no envolvimento.

Contexto da crise
– Origem: Desde o fim de 2024, revelações ligando Alexandre de Moraes e Dias Toffoli ao escândalo do Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro vêm desgastando a imagem da corte.
– Consequências em debate: Pressão por um código de ética mais detalhado para ministros e movimentações para que sejam investigados.

Recorte por intenção de voto
– Eleitores de Lula (PT): 42% acreditam no envolvimento de ministros.
– Eleitores de Flávio Bolsonaro (PL): 70% acreditam no envolvimento.
– Voto branco/nulo/nenhum: 48% acreditam no envolvimento.

Recorte por perfil
– Desconhecimento do caso: Sobe para 48% entre jovens de 16 a 24 anos. Fica em 42% entre quem tem só ensino fundamental e também entre quem declara voto branco/nulo.

Pontos específicos de desgaste citados na reportagem
– Alexandre de Moraes:
1. Contrato do Banco Master com escritório da esposa, Viviane Barci. Documentos da Receita apontam R$ 80,2 milhões em 2 anos. O escritório confirmou prestação de serviços, mas não confirmou valores.
2. Suspeita de troca de mensagens com Vorcaro, inclusive no dia da primeira prisão dele. O ministro nega.
3. Uso de aviões da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro.
– Dias Toffoli:
1. Foi o primeiro relator do caso Master e tomou decisões controversas.
2. Deixou a relatoria após desgaste, depois de reunião fechada com pares e nota de apoio.
3. Suspeita de pagamentos à empresa Maridt, da qual é sócio, pela venda de participação no resort Tayayá a um fundo ligado às fraudes do Master. O ministro diz que a transação foi declarada e nega amizade ou recebimento de dinheiro de Vorcaro.
4. Uso de aviões da Prime Aviation.
– Kassio Nunes Marques: Viajou de Brasília para Maceió em novembro em avião da Prime Aviation. Viagem organizada e paga pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua para o banco.
– Gilmar Mendes: Pegou carona em avião da Prime Aviation, em voo oferecido por Marcos Molina, maior acionista da MBRF. Afirmou que não sabia da relação de Vorcaro com a empresa.

Movimentação política
– Reação do governo: Críticas de Lula e aliados ao STF foram interpretadas como tentativa de conter desgaste político e evitar vantagem eleitoral da direita com o caso.
– Declaração de Lula: Disse a Moraes para não deixar que o “caso do Vorcaro” jogasse fora sua biografia, citando a condução do 8 de Janeiro.
– Delação de Vorcaro: Termos estão sendo negociados por PGR e PF. Advogados do ex-banqueiro teriam sugerido não mencionar ministros do Supremo, ideia rechaçada pelos investigadores.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil