Feira de Santana reabriu nesta segunda-feira (1º) o Complexo Carro de Boi, popularmente chamado de “Abóbora” ou “Jerimum”. Fechado há mais de duas décadas, o equipamento passou por requalificação iniciada em fevereiro de 2025, com investimento de R$ 7,4 milhões dos governos estadual e federal. O espaço agora será integrado ao Centro de Cultura Amélio Amorim em nova etapa de obras já autorizada.
Falas das autoridades
Durante a entrega, o governador Jerônimo Rodrigues ressaltou o cuidado com a história do local:
“Quando nós começamos o governo e eu anunciei que iria reformar e entregar esse espaço, pedi ao secretário Bruno que reunisse uma equipe de engenharia, arquitetura e também historiadores que conhecessem a história deste complexo para que nada da sua memória fosse perdido. Ao mesmo tempo, entendemos a necessidade de fazer os ajustes necessários para devolvermos à população um equipamento moderno, mantendo sua essência”.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, defendeu a interiorização dos recursos da cultura:
“É importantíssimo um equipamento cultural como esse em Feira de Santana, que resgata a memória de Amélio Amorim e também a força e a importância que a cidade tem como grande potência cultural”.
Segundo o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, a obra incluiu recuperação estrutural, modernização das instalações, acessibilidade, revitalização das áreas externas e adequação para atividades culturais, exposições e gastronomia, além da construção do novo Jerimum.
Do restaurante à boate símbolo de gerações
Projetado pelo arquiteto feirense Amélio Amorim, morto em 1982, o Complexo Carro de Boi surgiu nos anos 1970 como restaurante de comida típica regional. A estrutura rústica, com madeira e taipa, celebrava a cultura sertaneja. O nome faz referência ao transporte rural que ajudou a desbravar o interior do Brasil.
O local se tornou polo cultural ao abrigar mostras de arte, desfiles, feiras de artesanato e shows de artistas regionais e nacionais. Dentro do complexo funcionava a Boate Jerimum, a “Abóbora”, marcada pelo formato arredondado e pela vida noturna que embalou gerações de feirenses.
Após mais de 20 anos fechada, a estrutura da antiga boate foi condenada e demolida em 2025 para ser reconstruída conforme o projeto original de Amélio Amorim.
Integração com o Centro de Cultura
O Complexo Carro de Boi foi incorporado ao Centro de Cultura Amélio Amorim – CCAAm, construído em 1992 e administrado pela Funceb. O CCAAm tem sala de espetáculos para 320 pessoas, anfiteatro para 2,7 mil, galeria de exposições e seis salas de ensaio. Todo o centro também entrou em reforma em 2025 para requalificação.
A reabertura devolve a Feira de Santana, maior cidade do interior nordestino, um símbolo afetivo e cultural que une gastronomia, memória e produção artística.








