Petróleo supera US$ 90 pela primeira vez no mês com indefinição sobre liberação de Hormuz

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O preço do petróleo subiu nesta terça-feira (11), impulsionado por um novo clima de inquietação no mercado, que contempla um prolongamento do bloqueio do estreito de Hormuz diante de exigências irreconciliáveis entre Irã e EUA.

O barril Brent, referência mundial, chegou a superar US$ 90 na máxima do dia, cotado a US$ 90,03, por volta das 6h (horário de Brasília), com alta de 2,63%. Depois disso, o preço passou a diminuir e fechou o dia em US$ 89,30, avanço de 1,80%.

É a primeira vez que o preço do petróleo ultrapassa US$ 90 no mês. A última vez que isso ocorreu foi em 31 de julho, quando o Brent alcançou US$ 90,80.

Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 83,54 no fechamento, alta de 1,72% em relação ao dia anterior.

O petróleo iniciou a semana com uma forte alta na segunda-feira, impulsionado pelas condições impostas por Teerã para reabrir o estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria pedindo uma compensação pelos danos provocados pelo conflito e que ele também exigiria esse pagamento. Os iranianos continuaram rejeitando a existência de negociações diretas com os norte-americanos e afirmaram que as conversas são realizadas por meio de intermediários.

Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reuniu-se com o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, em Teerã, mas o regime iraniano não divulgou mais detalhes.

O Paquistão, que é um dos mediadores ao lado de Omã e Qatar, informou que um acordo de paz está próximo. “Os sinais dos últimos dois ou três dias indicam que estamos próximos de algum tipo de acordo”, afirmou o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, em entrevista à Bloomberg News. O Qatar também mostrou otimismo com a possibilidade de um acordo.

Apesar de sinais preliminares de progresso na diplomacia, houve relatos de novos ataques à navegação no golfo de Omã e no Mar Vermelho, destacando a crescente ameaça ao comércio marítimo. Seis tripulantes foram mortos em um suposto ataque dos houthis do Iêmen, aliados do Irã, a um pequeno navio de carga no estreito de Bab el-Mandeb, informou o Ministério dos Transportes do Iêmen. Os houthis não assumiram a autoria do ataque.

Um navio porta-contêineres também foi atingido por um míssil na costa do Paquistão, enquanto navegava pelo golfo de Omã, em um suposto ataque dos EUA, segundo relato da agência de notícias Reuters.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, reafirmou que o estreito de Hormuz permanecerá fechado enquanto as condições iranianas não forem aceitas pelos EUA.

A situação provocou uma nova alta no petróleo. “O mercado passou a demonstrar menor otimismo quanto à possibilidade de normalização das exportações de produtos energéticos da região”, afirmou Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

“A combinação entre tensões geopolíticas no Oriente Médio, riscos à navegação no Mar Vermelho e interrupções na infraestrutura energética russa continua sustentando os preços internacionais do petróleo e dos derivados”, complementou Cordeiro.

“O padrão se repete sem cessar: um entusiasmo inicial quando as negociações parecem promissoras e, depois, o otimismo se evapora com a mesma rapidez quando não se constata nenhum progresso”, afirmaram os analistas do ING.

Crédito: Reprodução
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