A vacina Qdenga mostrou alta efetividade na vida real em São Paulo, segundo esse estudo de fase 4:
O que foi feito
– 166.390 testes de dengue em adolescentes de 10 a 15 anos, entre 20/02/2024 e 31/12/2025. 65.365 positivos, 101.025 negativos.
– Cruzamento com registros de vacinação, com desenho caso-controle test-negativo.
– Coordenação UFMS e Fiocruz, com Secretaria de Saúde de SP, universidades dos EUA e Espanha. Financiamento CNPq.
Resultados principais
Esquema Contra dengue sintomática Contra hospitalização
2 doses 73,1% 87,9%
1 dose 59,2% 74,6%
– Com apenas 1 dose, a proteção se manteve no tempo: entre 270 e 364 dias após a 1ª dose, 74% contra sintomática; a partir de 365 dias, 77%. Hospitalização também continuou protegida.
– Isso derruba a suspeita anterior de queda após 90 dias.
Por que esse estudo importa
– O ensaio clínico da fase 3 teve ∼20 mil pessoas, 70% já com dengue prévia. Este teve mais de 166 mil testes e maioria soronegativa, que é o cenário mais comum entre adolescentes paulistas.
– Amostra maior permite medir hospitalização e eventos mais raros, que a fase 3 não consegue precisar.
Sorotipos
Em 2024 predominaram DENV-1 e 2 em SP. Em 2025, voltou a circular forte o DENV-3, sumido há mais de 10 anos. A efetividade geral não caiu, mas o estudo não tinha tipagem do vírus na maioria dos casos, então não dá para calcular proteção específica contra o sorotipo 3 ainda.
Recomendação continua a mesma
Os autores, incluindo Julio Croda, reforçam: duas doses com intervalo de 3 meses continuam recomendadas. A segunda dose teve proteção superior, principalmente contra hospitalização, e o estudo não foi desenhado para comparar 1 vs 2 doses.
A proteção com 1 dose abre caminho para discussão futura, em caso de escassez ou novas estratégias. Com mais 1 a 2 anos de acompanhamento, OMS, OPAS e Ministério da Saúde poderão avaliar se 1 dose seria suficiente.






