Falta de castração e de políticas públicas para animais domina audiência em Feira de Santana

Foto-Audiencia

A suspensão do programa municipal de castração de cães e gatos há cerca de cinco anos foi o centro das cobranças em audiência pública realizada nesta quarta-feira (10), na Câmara de Feira de Santana. Proposta pelo vereador Pedro Américo, a audiência reuniu protetores independentes, veterinários e a OAB.

O vereador afirmou que já tratou do tema com o prefeito José Ronaldo e com o secretário de Saúde, Rodrigo Matos, e que há compromisso de retomar o serviço ainda em 2026. A proposta apresentada é credenciar clínicas veterinárias da cidade para acelerar o manejo populacional.

“Se a gente entender que é uma causa de saúde pública, de meio ambiente e humanitária, e a sociedade abraçar isso de verdade, o poder executivo vai investir para buscar uma solução”, disse.

Para Pedro Américo, não há mais tempo para esperar a criação de uma grande estrutura pública. “A gente precisa urgentemente de uma política pública efetiva de castração, de manejo populacional de cães e gatos de rua”, cobrou.

Ele também defendeu que o município passe a remunerar os protetores independentes. “Eles estão realizando a política pública. Eu defendo que o poder público pague um salário para que os protetores continuem fazendo o trabalho que estão fazendo”, completou.

A sobrecarga dos protetores foi relatada por Karine Rocha, que atua há mais de 20 anos na causa e hoje cuida de 160 animais em casa. Segundo ela, o trabalho é feito sem apoio e com recursos próprios.

“Proteção animal não é aquela coisa bonitinha que a gente vê na televisão. Ela é ardida, doída, dolorosa, principalmente para quem vivencia 24 horas”, desabafou.

A saída técnica, na avaliação da Associação dos Médicos Veterinários de Feira e Região (ASMEV), é aproveitar a rede privada existente. “Precisamos utilizar as clínicas e hospitais presentes na cidade”, afirmou a representante Ilma Carla.

A OAB, por meio da Comissão de Proteção Animal, defendeu um plano em duas etapas: mapear os animais em situação de rua e contratar clínicas por cotas mensais. “Primeiro precisa fazer um mapeamento para entender a quantidade de animais que estão em situação de abandono”, explicou Ticiana Sampaio.

Ela ainda alertou para o aumento de conflitos em condomínios relacionados a animais comunitários e disse que a responsabilidade não pode recair sobre os protetores. “A gente não está aqui acusando, coagindo. A gente quer resolver. Porque os animais estão sofrendo e a rede de proteção está sofrendo”, afirmou.

Ao final, Pedro Américo destacou o esvaziamento da primeira audiência sobre o tema, há cinco anos, com apenas três participantes, em contraste com a lotação desta quarta. “Hoje foi casa cheia. Então tem gente escutando, tem gente ouvindo e a gente vai continuar falando”, concluiu.

Foto: Divulgação Assessoria Pedro Américo
foto Foto: Divulgação Assessoria Pedro Américo
Amaury Junior é responsável pelas informações e imagens apresentadas nesta postagem.Radar News não se responsabiliza pelo conteúdo publicado.