Na manhã de sexta-feira (13), em um salão de beleza, um telejornal surpreende todas as clientes, com a seguinte matéria: “na abertura do Carnaval de Salvador, noite de 5ª feira (12), no circuito Dodô (Barra/Ondina), uma argentina sofre um estupro num banheiro químico, tendo como suspeitos, 03 policiais militares da Bahia, que estavam de serviço ostensivo nesse local.
A notícia chegou inicialmente, por meio do Instagram de uma das cabelereiras, que me mostrou em seu celular. Mas considerei tão absurda, que tratei como sensacionalismo. Porém, em fração de segundos a matéria surgiu na televisão e todas nós ficamos atônitas ao assistir o Secretário de Segurança Pública do Estado reconhecer que, realmente, os suspeitos eram policiais militares, que estavam de serviço naquele circuito.
Conheço a atuação das forças de segurança por dentro e sei que elas retratam a nossa sociedade, nas suas diversas concepções, principalmente, as étnico-raciais e de gênero.
Não à toa o processo de formação de policiais ainda ter uma matriz curricular frágil em relação a concepção de Direitos Humanos e ao enfrentamento da violência contra a mulher. É necessário redobrar os investimentos em formação continuada para entender como a violência pode ser prejudicial às pessoas, e as polícias convivem diuturnamente com ela.
A ameaça é um dos crimes mais cometidos contra mulheres, e ao mesmo tempo, um dos mais banalizados. Prova disso são os constantes registros de ameaças que não são investigados, e que acabam corroborando com a morte de diversas mulheres.
As campanhas do Estado de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher precisam ser robustecidas com disciplinas que passem a compor a matriz curricular das academias das forças de segurança. Porque policiais são pessoas da sociedade brasileira, são atravessados pelos mesmos preconceitos daqueles que são civis, ou seja, muitos dos operadores de segurança pública violentam suas mulheres, vizinhas, filhas, sobrinhas, professoras e netas, e isso não pode ser um segredo. É um problema da sociedade, de segurança e de saúde pública.
Portanto, como nós mulheres, iremos confiar em policiais que mesmo tendo conhecimento de todo aparato tecnológico para coibir crimes, mesmo sabendo do risco de serem descobertos, mesmo tendo como mister promover a tranquilidade e segurança das pessoas, são os que nos violentam?
A segurança pública precisa rever a formação de seus operadores, assim como, a sociedade precisa lutar por uma educação que possibilite meninos a aprenderem a não naturalizar a violência contra meninas.









