Eleita com quase 2 milhões, deputada diz que feminicídio ‘não existe’

Deputada-mais-votada

Eleita com 1.956.238 votos no domingo (4), Maria Eduarda Campopiano Monteiro (PL), de 23 anos, será a deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026. A votação é a segunda maior da história da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), atrás apenas dos 2.060.786 votos de Janaína Paschoal em 2018.

A chegada à Alesp ocorre dois anos após sua primeira eleição. Em 2024, Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.583 votos. Natural de Campinas, nascida em 22 de julho de 2003, começou a produzir conteúdo político aos 18 anos e ganhou projeção nacional nas redes sociais com debates sobre feminismo, aborto, gênero e segurança pública.

A parlamentar tem como principal bandeira o combate ao feminismo.

Feminicídio e misoginia

A oposição ao feminismo é ponto central do discurso de Campopiano, que se apresenta como “a maior inimiga das feministas de São Paulo” e afirma: “Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista” e “Sou antifeminista. E não vou dar para trás”.

A declaração de maior repercussão ocorreu durante debate com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL) sobre projeto que discute a criminalização da misoginia no Congresso Nacional:

“Eu não acho que feminicídio seja algo que exista”, afirmou.

Na mesma linha, defendeu que crimes contra mulheres poderiam ser enquadrados como crimes passionais, embora tenha dito ser favorável a agravantes quando há uso de superioridade física do agressor, regra que, segundo ela, deveria valer para outras situações semelhantes.

Pela legislação brasileira, o feminicídio é qualificadora do homicídio quando cometido por razões da condição de sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Após o resultado das urnas, declarou à Folha de http://S.Paulo: “A guerra tá só começando”, ao se referir ao embate com parlamentares feministas.

Sobre o papel do movimento feminista, afirmou: “Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas. Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual”.

Outras pautas

Aborto: declara-se contrária, por defender a vida desde a concepção, e diz que pretende atuar para que mulheres desistam de interromper a gravidez. Afirma que vai se posicionar contra projetos que classifica como “absurdos” apresentados por parlamentares feministas. Apesar de o mandato estadual não legislar sobre direito penal, que é competência do Congresso, diz que usará a tribuna da Alesp para pautar o tema.

Segurança pública: defende o porte de armas de fogo para mulheres como instrumento de defesa contra violência doméstica e urbana.

A deputada eleita também se posiciona contra o reconhecimento da prostituição como profissão e contra políticas de cotas raciais.

Repercussão

As declarações sobre feminicídio voltaram a repercutir nesta segunda-feira (5). A jornalista Adriana Araújo, âncora do Jornal da Band e da BandNews FM, se emocionou ao comentar o tema e classificou a fala como “gravíssima”.

“Enquanto ela repete esses bordões que viralizam nas redes sociais e nos grupos de ódio às mulheres, mulheres reais estão sentindo dor na pele”, disse a apresentadora, que também destacou que direitos políticos hoje exercidos por mulheres foram conquistados a partir de movimentos organizados por mulheres.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
foto Foto: Reprodução/Redes Sociais
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