Mulheres em Movimento: Adriana Barbosa

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Neste dia nacional da visibilidade Lésbica, o Editorial Mulheres em Movimento destaca como penúltima Protagonista desta Edição, Adriana Barbosa. Mas, antes de falar sobre ela, faz-se necessário algumas ponderações. Para quem se pergunta qual é a razão de celebrar este grupo de Mulheres durante o mês de Agosto, a justificativa está na ocorrência de dois fatos históricos e que foram determinantes para esta definição. O primeiro deles, ocorrido em 19 de Agosto de 1983, envolveu um protesto contra a censura, a proibição da venda do Boletim Chanacomchana – desenvolvido pelo Grupo de Ação Lésbiao Feminista [GALF] – e a expulsão de suas militantes de um bar de São Paulo.

Sobre o episódio, a ativista Míriam Martinho revela que “a razão pela qual eles começaram a implicar com a gente foi porque o Boletim era explicitamente lésbico, numa época em que todo o mundo estava no armário”. A outra data referencial para o tema é 29 de Agosto de 1996, quando foi realizado o I Seminário Nacional de Lésbicas [SENALE] – estabelecida como o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Assim como essas ações, há outras tantas articulações e iniciativas realizadas ao longo das últimas três décadas – em todo o território nacional – a exemplo da Liga Brasileira de Lésbicas e, na Bahia, o Encontro Estadual de Lésbicas e Bissexuais – que tradicionalmente acontece na capital, mas, entre 09 a 11 e Outubro de 2026, acontecerá em Conceição do Coité – no campus da Universidade do Estado da Bahia.

E por falar nesses movimentos, saiba que amanhã [30 de Agosto] acontecerá a IV Caminhada LesBi de Salvador/BA, com concentração e saída do fim de linha da Ribeira até o Largo do Papagaio. Com o tema Justiça, Saúde e Bem Viver para Mulheres que amam Mulheres, a programação tem início às 14h e se estende até a noite. Encerrada a caminhada, a partir de 19h, a diversão está garantida no Baile 44 – que acontece no Huum Mar Bar, localizado no bairro da Ribeira: ingresso individual R$25 e casadinha R$44.

Concluídas as informações introdutórias, vem à tona aspectos da trajetória de vida da atual Protagonista: Adriana Barbosa – nascida em 1986 em Feira de Santana/BA e criada na zona rural de Santa Bárbara/BA, é Advogada e Licenciada em Biologia, noiva de Emile Cerqueira e, no momento, atua como Gerente Territorial da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional do Estado da Bahia [CAR]. Sua atuação com/para o desenvolvimento dos municípios que compõem o Portal do Sertão é tão intensa que sua entrevista só pôde ser realizada no intervalo de uma de suas agendas profissionais.

No Restaurante de Maria – localizado na Comunidade da Ilha dos Campinhos, em Antônio Cardoso/BA – enquanto esperávamos a galinha de quintal com pirão ser preparada e servida, nos separamos por 20min do grupo que nos acompanhava e conversamos sobre temas como, família, formação pessoal, trajetória de vida e religiosidade. Todos eles, a partir do viés de sua sexualidade e, como já era esperado, vieram à tona muitas memórias. As mais emocionadas referem-se à vida difícil que enfrentou durante a infância, tendo como principal dificuldade a falta de acesso à água potável: “a gente bebia água de barreiro, ia andando buscar água no açude e disputava com os animais”.

Católica, iniciou sua militância nos movimentos sociais de base comunitária a partir de atuação na Pastoral da Criança, em parceria com o Movimento de Organização Comunitária [MOC], em combate à mortalidade infantil, cólera e desnutrição. Quando perguntada se sua trajetória de vida oferece alguma contribuição para a sua atuação profissional afirma que “quando eu chego em uma comunidade rural, eu sei o que tô falando, eu sei o que as pessoas estão falando, não que as outras pessoas não saibam, mas uma coisa é você vivenciar isso e poder falar por experiência própria. Eu entendo a linguagem, eu sei chegar e entender uma fala ou um gesto, muitas vezes, a pessoa é tão podada na vida que, em determinadas circunstâncias, é perguntada sobre algo e ela não consegue se expressar, mas, aí pelo olhar, eu já consigo perceber”.

Filiada ao Partido do Trabalhadores desde 2011, integrou duas gestões comandadas pelo grupo no município de Santa Bárbara/BA, atuando como Diretora M. de Meio Ambiente, e como muitas pessoas jovens na contemporaneidade é fruto das políticas públicas destinada à Educação, promovidas pelas gestões petistas à nível estadual e nacional, tendo sido Estudante do Curso Universidade para Todos e, a seguir, com a bolsa integral do Prouni, cursou sua primeira graduação.

É muito importante que seja dito que Adriana foi a principal incentivadora da realização da I Edição do Editorial Mulheres em Movimento [2024], enquanto atuava como Assessora Parlamentar do Deputado Federal Zé Neto [PT] e, por seu intermédio, a proposta foi apresentada e admitida como mais uma ação social apoiada por seu mandato. Ela já poderia ter sido Protagonista em outras edições, mas, esta é a oportunidade mais apropriada, já que, estamos notabilizando Mulheres que amam Mulheres, na tentativa de contribuir para uma melhor compreensão e respeito da sociedade com o tema.

Sobre a importância desta Edição, ela compreende que “não é sobre rótulos, é sobre existência e reexistência”. E essa compreensão está de acordo com a nossa proposta, que notabilizou as trajetórias de mulheres praticantes de sexualidade dissidente, popularmente conhecidas como sapatonas, sapatão, viadas, entendidas, dentre muitas outras denominações. Além do Projeto documentadas, a multiartista cruz-almense – Nildes Sena – foi destaque no último domingo.

Amanhã – dia em que será realizada a IV Caminhada Lesbi de Salvador/BA – também será feita a última publicação desta Edição dedicada às Mulheres Lésbicas e, pela primeira vez desde a criação do Editorial Mulheres e Movimento, a produção de uma entrevista e a elaboração do texto final foi realizada por uma Colaboradora: Amanda de L. Ribeiro. E é a partir de seu olhar que conheceremos um pouco da história de vida de Bárbara Alves. Então, não perca a leitura do texto intitulado Bárbara Alves: trajetória de luta, afeto e potência Lésbica.

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