A ministra da Cultura, Margareth Menezes, é defendida por setores do governo estadual como nome para a disputa pela Prefeitura de Salvador em 2028. O grupo petista, que comanda o Executivo estadual, ainda não tem candidatura consolidada para o pleito municipal, mas já avalia cenários.
Segundo duas fontes ouvidas pelo bahia.ba sob condição de anonimato, a cantora é vista como um nome capaz de ampliar o alcance eleitoral da esquerda na capital.
“Pode ser a mulher negra que Salvador tanto espera para ser prefeita”, afirmou um interlocutor próximo ao Palácio de Ondina.
A possibilidade não é nova. Em 2023, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) citou Margareth como nome forte para a Prefeitura. Um ano depois, foi o próprio Geraldo Júnior quem se lançou candidato a prefeito.
Estratégia de renovação
A avaliação interna é que uma eventual candidatura de Margareth ajudaria a renovar a imagem do PT em Salvador e no estado. O movimento, segundo interlocutores, já inclui o incentivo a novas candidaturas, como as de Lucas Reis (PT) para deputado federal e Rowenna Brito (PT) para deputada estadual, além do secretário de Cultura licenciado Bruno Monteiro, incentivado a disputar uma vaga de vereador em 2028.
Histórico com o PT
Margareth Menezes integra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde 2023 e tem histórico de apoio a candidaturas petistas. Em 2010, declarou voto na então candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). Em 2012, gravou a música “Cidadão”, de Moraes Moreira, para o programa eleitoral de Nelson Pelegrino, então no PT e hoje conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, na disputa pela Prefeitura de Salvador vencida na época por ACM Neto, então no Democratas.
Apesar da proximidade, a ministra não é filiada a partido. Em janeiro deste ano, ao ser questionada sobre uma possível candidatura à Câmara dos Deputados, disse estar focada no Ministério da Cultura. Em fevereiro, ao ser perguntada sobre a Prefeitura de Salvador, respondeu que seguia concentrada na pasta federal.
Procurada pela reportagem, a assessoria do Ministério da Cultura não respondeu até a publicação.
Outros nomes na mesa
A definição está distante. As eleições de 2026 ainda estão em curso e, após as vitórias de Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) para o Senado e de Jerônimo Rodrigues (PT) para o governo estadual, o foco do grupo tem sido a campanha à reeleição de Lula no segundo turno presidencial.
Ainda assim, outros nomes são citados para 2028: as deputadas estaduais eleitas Rowenna Brito e Vilma Reis (PT), os deputados federais eleitos Lucas Reis, Maria Marighella (PT) e Olívia Santana (PCdoB).
O secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner, chegou a relatar a interlocutores o desejo de concorrer à Prefeitura, mas perdeu força após ter o nome associado ao escândalo do Banco Master.
O empresário Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e dono do Londrina Esporte Clube, também foi lembrado. Em fevereiro deste ano, participou de almoço com Lula, Jerônimo, Wagner, Margareth e outros petistas no apartamento do cantor Gilberto Gil, no Corredor da Vitória, em Salvador. Desde a divulgação de uma foto do encontro, tem evitado entrevistas fora do âmbito esportivo.
Cenário em Salvador
O otimismo do PT para 2028 se baseia no desempenho de Jerônimo Rodrigues na capital em 2026. ACM Neto (União Brasil) voltou a vencer na cidade, mas a diferença caiu: de 455.676 votos no segundo turno de 2022 para 139.075 votos no primeiro turno de 2026.
O Subúrbio Ferroviário, antes considerado reduto de ACM Neto, foi a região de melhor desempenho de Jerônimo em Salvador, com 48,4% dos votos válidos, contra 50,91% do ex-prefeito. O resultado é atribuído internamente ao início da operação do VLT.
A expectativa no governo é que a conclusão do VLT até a orla de Piatã, prevista para julho de 2028, aumente a aprovação do grupo petista e crie condições para encerrar um ciclo de 16 anos do União Brasil à frente da Prefeitura.






