Pesquisa de 2025 mostra que 37,5% da malha avaliada oferece risco maior a motoristas. Estradas concedidas concentram os melhores índices; vias públicas têm pior desempenho.
Apenas duas em cada dez rodovias brasileiras têm alto padrão de segurança capaz de amenizar as consequências de acidentes. O dado é de um recorte da Pesquisa CNT Rodovias 2025, divulgado nesta quarta-feira, 3, que mede o Índice de Padrão de Segurança das estradas.
O estudo analisou pouco mais de 114 mil km em todo o país. O indicador avalia elementos físicos como defensas, barreiras, acostamento, áreas livres de obstáculos e atenuadores de impacto. Quanto mais completa a infraestrutura, maior o padrão de segurança da via — e menor a chance de mortes ou ferimentos graves.
Números gerais
– Alto padrão: 19,9% da malha, ou 22,6 mil km
– Padrão médio: 42,7%, equivalente a 48,7 mil km
– Baixo padrão: 37,5%, ou 44,7 mil km
Isso significa que mais de 80% das estradas analisadas têm chance média ou alta de que falhas de infraestrutura agravem os resultados de colisões.
Comparado a 2024, houve leve recuo: o percentual de trechos com alto padrão caiu 0,4 ponto, enquanto a faixa intermediária subiu 0,9 ponto.
Estados
São Paulo tem a malha mais segura. Dos 11 mil km avaliados, 70% apresentam alto padrão. Só 518 km foram classificados com risco elevado.
Amapá e Roraima não tiveram nenhum quilômetro na categoria mais alta. Os piores índices de baixo padrão são do Amazonas, 74,7%, e do Maranhão, 74,3%. No AM foram avaliados 989 km; no MA, 4,7 mil km.
Os governos de AM, MA, AP, RR e o Dnit não responderam até a publicação.
Gestão pública x concessão
As rodovias com melhor avaliação se concentram no Sudeste e Sul, onde há mais concessões. Entre as vias privadas, 62% têm alto padrão e só 2,4% estão na faixa de maior risco.
Nas públicas, o quadro se inverte: 50% têm baixo padrão e apenas 4,8% alcançam o nível mais alto. Em 2024, 6,2% das públicas estavam nessa faixa. As concedidas mantiveram estabilidade.
Em Minas Gerais, oito das 85 rodovias listadas têm 100% da extensão com baixo padrão. Todas são públicas.
Em São Paulo, só duas das 106 vias pesquisadas estão na faixa de maior risco: a SP-613, na região de Presidente Prudente, e a SPA-074, em Araraquara, ambas do DER. Já 28 estradas paulistas têm selo de alto padrão. Desse grupo, só a SP-091, entre Campinas e Valinhos, é pública.
CNT
Para Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT, o painel confirma que a qualidade da infraestrutura impacta diretamente a gravidade dos acidentes. “Os avanços ainda são desiguais. É preciso ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública”, diz.
A pesquisa completa da CNT avalia as condições gerais das estradas e é publicada anualmente no fim do ano.








