O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (2) o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Durante discurso em Catalão, Lula afirmou que Rubio “é anti-América Latina, inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”. O presidente citou a ausência do secretário na reunião que teve com Donald Trump em maio.
Lula disse ter manifestado a insatisfação diretamente ao presidente americano. “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, afirmou.
As declarações foram feitas após o governo Trump propor uma nova tarifa de 25% sobre bens importados do Brasil. A proposta ocorre depois da conclusão de uma investigação da seção 301 conduzida pelo USTR, Escritório do Representante de Comércio dos EUA. O órgão apontou práticas comerciais brasileiras consideradas injustas.
O USTR abriu consulta pública para que o setor privado se manifeste sobre os resultados. O relatório definitivo deve ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicar ou não a tarifa cabe a Trump.
Também nesta terça, Rubio declarou que o Brasil não integra o grupo de nações amigáveis aos interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental. Ele mencionou o ciclo eleitoral brasileiro e colocou o país ao lado de Nicarágua, Cuba, Venezuela e, em parte, Colômbia como “problemáticos”. “De modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos EUA, de líderes amistosos aos EUA”, disse o secretário.
Lula ressaltou que o governo brasileiro mantém negociações com Washington desde o ano passado. Ele associou a proposta de tarifaço ao encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL) com Rubio dias antes. O presidente chamou os filhos de Jair Bolsonaro de “vendilhões da pátria” e “traidores” por pedirem interferência estrangeira nas decisões brasileiras.
Na sequência, referiu-se a eles como “os meninos do Bolsonaro” e “família metralha”. Segundo Lula, Flávio “foi pedir arrego” a Trump para prejudicá-lo eleitoralmente. “Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, disse.
Nesta terça, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu “expressamente” a Trump que não aplicasse tarifa sobre empresas brasileiras.








