A publicação do domingo passado informou que o Editorial Mulheres em Movimento encerrava ali a sua III Edição, mas, a partir das ponderações feitas pelo público leitor e pelas atuais Protagonistas, considerou-se que haviam alguns nomes que não poderiam estar fora do projeto. E foram muitas as referências às mulheres notáveis, dentre elas, definiu-se que a Professora Celina, dona Mira dos Paus Altos, dona Lulinha do Gavião e a Professora Oraide integrarão a turma de Protagonistas cardosenses.
Então, para contemplá-las, realizaremos uma edição especial durante os domingos de maio, desta vez, notabilizando as Mães do município de Antônio Cardoso. Para tanto, mantém-se a parceria com a Prefeitura Municipal, com destaque aos apoios imprescindíveis das Secretárias Lane Lopes [Cultura Esporte, Lazer e Turismo], Nadja Paulino [Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza] e Mirian Almeida [Promoção da Igualdade Racial e Políticas para os Povos Tradicionais]. Além delas, o Prefeito Jocivaldo do Anjos, entusiasta da proposta.
A publicação que inaugura essa nova temporada apresenta aspectos da história de vida da Professora Celina Bezerra, que já não está encarnada, mas vive na memória coletiva local. E essa memória é potencialmente amorosa, estando demonstrada na realização da Exposição Professora Celina Bezerra: um exemplo de religiosidade, trabalho e solidariedade – que segue aberta à visitação até 05 de maio de 2026, na Escola Municipal que, agora, tem o seu nome. Além de fotos e itens, como livros e a máquina de escrever, depoimentos de pessoas que conviveram com ela reconstituem um pouco do que foi sua vida religiosa, social e privada.
Mãe de Bira, Sheila e Cristiane, além das gêmeas que perdeu, também é considerada mãe por quase toda]o]s a[o]s estudantes que foram alfabetizada[o]s por ela – e foram quase todas as pessoas que estudaram no município entre as décadas de 1970 e 1998, quando se aposentou. Há ainda as pessoas que foram por ela catequizadas, durante seus longos anos de serviços prestados à fé católica. Na biografia escrita por sua filha caçula é descrita como “um ser humano que gostava muito de ajudar as pessoas, se fosse do conhecimento dela que alguém estava com problema de saúde grave, ela fretava o carro de Bal ou de Toin de Ioiô e levava para o hospital em Feira de Santana, também já foi chamada pra ajudar no parto da vizinha, pra dar banho em recém nascido e fazer curativo de umbigo”.
Apesar das dificuldades para os deslocamentos entre sua cidade natal e Feira de Santana, formou-se em Magistério, tendo estudado à noite no Instituto de Educação Gastão Guimarães e, como já era mãe e não tinha com quem deixar as crianças, “levava para o Colégio onde deixava deitados na carteira até finalizar as aulas”. Nesse período dormia na casa de Rosinha Cardoso e retornava todas as manhãs à Antônio Cardoso, realizando a pé o percurso de 6km entre a entrada até a Sede do município, acompanhada do filho, Bira e da filha, Sheila.
Celina – que queria ser Freira, mas a família não permitiu – também é lembrada pelas caminhadas feitas da Sede até à Ilha dos Campinhos, para que pudesse catequizar crianças. Seu compromisso com a Igreja Católica é admirável, tendo sido Ministra da Eucaristia, Catequista, além de ser responsável pelas formações nos Cursos de Batismo e Casamento. Desde pequena aprendeu a cuidar de gente, tendo recebido essa função em casa, já que, sendo a filha mais velha, se ocupava do cuidado de seus sete irmãos mais jovens. Com o pai e a mãe aprendeu a trabalhar na roça, sabedoria que lhe foi muito útil durante os anos em que atuou como Professora de Técnicas Agrícolas.
Dos anos de trabalho na roça, o Mestre Bule Bule – seu contemporâneo e amigo – relembra que saiam juntos em busca de terra pra plantar: “naquele Tempo só quem tinha terra eram os graúdos, a gente ouvia falar que algum deles tava deixando fazer roça, mas quando a gente chegava lá achava um pasto catingueiro que primeiro tinha que limpar pra plantar…tinha gente que pensava que era bondade deles, mas a gente sabia que eles queriam achar o pasto limpo sem ter custo, era uma forma de exploração do povo pobre”.
Após uma vida inteira dedicada à solidariedade e ao convívio coletivo, em 1991, foi diagnosticada com câncer de mama, fez cirurgia e tratamento na capital do Estado e, apesar disso, continuou lecionando nos três turnos. Teve alta da Oncologia e depois de alguns anos, com a realização de “exames de precaução descobriu um outro tumor, no pulmão”. Dessa vez, fez tratamento em Feira de Santana, tendo participado de sessões de quimioterapia e radioterapia, inclusive, ficou sem andar durante a realização desse tratamento de saúde. Mas, em decorrência de uma metástase, “Celina nos deixou em 30 de setembro de 2000″.
A biografia escrita por Cristiane, que serviu de fonte para a pesquisa e montagem da Exposição Professora Celina Bezerra: um exemplo de religiosidade, trabalho e solidariedade é finalizada com a frase “Celina deixou um legado e uma saudade enorme no coração de muita gente” e, em concordância com isto, a população cardosense a reconhece como o ser iluminado que foi e permanecerá sendo na eternidade da memória do seu povo. Sem dúvida, não haveria melhor maneira de iniciar nossa celebração às mães, tomando como farol luminoso a grandiosa Professora Celina. Mas, ainda tem muita história por ser contada e conhecida, continue acompanhado e partilhando as nossas publicações!









