A cidade de Alagoinhas sediou o Iº Simpósio sobre Cannabis Medicinal do Território Agreste e Litoral Norte da Bahia. Na programação, Palestras com temas como O que é ser paciente de Cannabis Medicinal no Brasil, Sistema Endocanabinóide, Desafios e possibilidades de Cuidado e Associativismo Canábico. Para abordá-los, profissionais da Psicologia, Medicina e Direito, respectivamente, Tabata Gerk, Mariane Ventura e Karel Guerra, além de integrantes da Associação Chapada Diamantina de pacientes e estudos da Medicina Canábica.
O evento aconteceu na Sede do Coletivo Cultural Vila D´lagoinha e foi iniciado na noite de 20 abril, com a exibição do Documentário Estado de Proibição, seguida de conversa temática. No dia 21, feriado nacional, além das Palestras e rodas de conversa, aconteceram intervenções musicais com o projeto VinilLona. O Artista Plástico e idealizador, Carlos Dorea, afirma que “a proposta da Vila é educacional, primeiramente, servindo de palco para as discussões importantes para sociedade. A gente precisa perder o medo de falar da maconha, aqui não se trata de fazer apologia ao uso, a ideia é uso do canabidiol. Nós estamos discutindo sobre o CBD [canabidiol] e não o THC [tetrahidrocanabinol]”.
Dentre o público que esteve presente e participou das discussões propostas na programação do Simpósio de Cannabis Medicinal, um grupo composto por estudantes e pesquisadora[e]s da Universidade Estadual de Feira de Santana; da área da Saúde [Ciências Farmacêuticas e Psicologia] e da Educação [Letras], que integram o Grupo de Pesquisa em Educação, Patrimonio Cultural e Etnicidade – onde existe a linha de Pesquisa Patrimônio Cultural Proibido e Educação Psicodélica.
De acordo com Danilo Carvalho – Professor e Coordenador do Grupo de Pesquisa – eventos como este oportunizam “a construção de redes antiproibicionistas, que nos ajudam a superar os problemas de estigmatização de Comunidades Tradicionais e que, atualmente, estão em contextos de vulnerabilidades e sendo criminalizadas, além de popularizar o conhecimento sobre Cannabis Medicinal e seus usos, e a constituição de redes de Pesquisa e Extensão para que se leve à população conhecimentos que, muitas vezes, ficam restritos ao discurso acadêmico”.
Assim como ele, Ingrid Gutierrez, Professora do Departamento de Saúde na mesma Instituição e também integrante do Grupo, afirma que eventos com esta temática tem acontecido em Feira de Santana desde 2021, a exemplo do I Seminário sobre as implicações étnicas e raciais da Pesquisa e na Extensão sobre Psicoativos, realizado em 22 de novembro de 2024. Trata-se do primeiro debate institucional sobre Políticas de Drogas, promovido em parceria com o Programa de Extensão Terapias não-convencionais e você, realizado na UEFS, que completa 50 anos em 2026. À propósito, durante a realização do Congresso 50+ UEFS, entre os dias 04 e 07 de maio, o tema também fará parte da programação através do Grupo de Trabalho intitulado Desafios para a Pesquisa, o Ensino e a Extensão sobre Psicodélicos.
A Psicóloga Tabata Gerk destaca a necessidade de não esquecer o contexto em que a Cannabis foi introduzida na sociedade brasileira “essa planta, cujo uso é milenar, chegou no Brasil trazida por pessoas do continente africano que foram escravizadas, porque elas tinham um vínculo sagrado com a planta. Desse modo, a profissional chama a atenção para que sejam observados como as categorias de raça e classe são consideradas basilares para a construção dos discursos de proibição e criminalização. Além disso, ela diz que “hoje, muitas pessoas procuram a planta por questões de saúde mental: depressão, ansiedade, insônia, dores crônicas psicossomáticas, entre outros”.
Como o uso da Cannabis é proibido no Brasil, a única possibilidade legal para consumo e/ou para que sejam desenvolvidas pesquisas e estudos, se dá através de decisão judicial, sobre isso, o Advogado Karel Guerra informa que “podem ser concedidos o habeas corpus coletivo ou o habeas corpus individual”. A Associação Chapada Diamantina de pacientes e estudos da Medicina Canábica é um exemplo de habeas corpus coletivo. Mas, quem quer requerer individualmente “tem quer ser paciente, tem que ter um quadro clínico prévio mostrando que já tentou outros tratamentos, receita médica confeccionada por profissional prescritor canábico [hoje pode ser qualquer pessoa formada em Medicina, cadastrada no Conselho Regional de Medicina], acompanhada de diversos relatórios que indiquem a necessidade do uso.”
Pessoas que fazem o uso adulto da planta também compareceram e concordaram sobre a importância da Marcha da Maconha como um movimento fundamental, sobretudo, de informação para a sociedade, “foi ela que abriu todas as portas, depois vieram as famílias buscando pelo uso medicinal para crianças e demais familiares. Embora seja tão estigmatizada, a Marcha é um movimento fundamental”, afirma a Professora Ingrid Gutierrez.









