Nesta III Edição do Editorial Mulheres em Movimento, em que celebramos as Protagonistas cardosenses, em função do aniversário de emancipação política de Antônio Cardoso/BA, destacamos àquelas que oferecem contribuições notáveis à história local. E, na publicação de hoje, a Protagonista é Raimunda de Zeca Cacete – mãe, avó e bisavó – Professora aposentada do Estado da Bahia e atuante há 24 anos na rede municipal de ensino [devendo se aposentar em 2027]. É, também, Cordelista e integrante da comunidade católica.
Nascida e criada na Fazenda Lagoa dos Medeiros – situada na BA 499, a caminho da Sede – formou-se em Magistério na primeira turma do extinto Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – atual Escola Municipal Celina Bezerra – e em Pedagogia. Durante a entrevista, concedida em sua casa, no dia em que sua bisneta completou nove meses de vida, descreveu memórias sobre uma realidade social não tão distante e que ajudam a compor um mosaico sobre as histórias do território.
Inicialmente, a publicação de sua entrevista aconteceria no próximo domingo, 26 de abril – dia em que completa 60 anos – mas, já que, ontem foi o aniversário do município, faz todo sentido notabilizar a trajetória de vida da compositora do Hino municipal. Sobre o processo de seleção de seu texto, revela que “lançou-se um concurso, no qual a gente fazia inscrição através de pseudônimo, pra não ter apadrinhamento, e a banca examinadora era da UEFS. Eu nem ia me inscrever, mas cheguei na Escola e alguém comentou que as inscrições iam ser encerradas no dia seguinte e só haviam 5 inscrições… Na época, eu morava em frente à Escola e, ao sair de lá no fim da tarde, sentei em minha casa e comecei a escrever, mas jamais passava pela minha cabeça que aquele texto seria selecionado para ser o Hino”.
Com experiência em todos os níveis da Educação Básica – tendo atuado na Educação Infantil, nos níveis fundamental I e II, Ensino Médio – confessa que tem “paixão pela Educação de Jovens e Adultos”, e que aprendeu a gostar de política e da cultura com seu pai, Zeca Cacete – umas das lideranças da política partidária local, que lutou pelo plebiscito que resultou na emancipação do território [1962] – antes vinculado à São Gonçalo dos Campos – além de ter sido eleito Vereador em dois mandatos, além de ter sido suplente em outro pleito.
Ainda sem livros publicados, produz cordéis sob encomenda, normalmente, para atividades escolares e tem como referências literárias Bule Bule, Fernando [morador da cabeceira do município], a Professora Maria de Lourdes [sua colega da rede municipal de ensino, em memória], Raimunda do Poço [Protagonista nesta edição do Mulheres em Movimento] e o Prefeito Jocivaldo Anjos – que também é escritor.
Quando concluiu o curso de Magistério [1984], aos 17 anos, recebeu e aceitou a proposta profissional do Prefeito à época, Antônio Santiago, para trabalhar na antiga Escola Ieda Barradas – na Comunidade do Travessão: “eu gosto sempre de lembrar da minha primeira experiência profissional, eu andava todo dia 6km pra ir e 6 km pra voltar. Eu gosto sempre de lembrar que Roberval, que é Professor, que já foi Vereador, que hoje entrega as cartas, eu tenho orgulho em dizer que ele foi um dos meus primeiros alunos, foi da minha primeira turma”.
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo de 40 anos de atuação profissional na área da Educação, ela afirma que “se tivesse outra vida e pudesse escolher, voltaria como Professora de novo. Eu tenho certeza que meu nome será lembrado porque creio que tenha feito aquilo que era competente a minha profissão…90% dos jovens de Antônio Cardoso foram meus alunos e eu sou apaixonada por isso”.
Diante do que foi dito, para quem lhe conhece e teve a honra de ser educada[o] por ela, o respeito e a admiração só crescem. Para quem vai conhecê-la a partir do Editorial, inspire-se nela que, além contribuir na escrita das histórias do povo cardosense, é também referência quando buscamos saber das histórias que já foram escritas neste lugar, assim como outra[o]s grandes memorialistas, a exemplo do Historiador Telito Rodrigues e da Professora Oraide da Cunha, referências indispensáveis para a elaboração deste texto. Por fim, te convido à acompanhar a publicação do domingo que vem, quando será concluída a Edição 2026. Até lá!









