Em visita à Espanha nesta segunda (8), o papa Leão 14 chamou de “praga” os casos de abuso sexual por membros do clero e exigiu que a Igreja responda com “escuta, verdade, justiça e reparação” às vítimas.
Durante reunião com bispos, ele afirmou que “uma das experiências mais dolorosas é ver pessoas feridas por quem deveria protegê-las, inclusive padres”. Pediu acolhimento, proteção e “caminhos reais para a cura”, além de prevenção e cultura de proteção a crianças e vulneráveis.
A declaração foi a mais enfática do papa sobre o tema na viagem a um país onde o escândalo desgastou a imagem da Igreja. Relatório de 2023 do Defensor do Povo estima que mais de 200 mil menores foram abusados por clérigos na Espanha desde 1940. Em março, governo e Igreja fecharam acordo para indenizar vítimas.
O Vaticano confirmou encontro reservado de Leão 14 com vítimas em Madri, sem dar detalhes. Grupos de ativistas, não convidados, protestaram em frente à Nunciatura e cobram transparência, apoio psicológico permanente, indenizações e ajuda educacional e profissional.
No Congresso, o papa disse que o mundo enfrenta “profunda crise espiritual e cultural” marcada por violência, polarização e desconfiança. Sobre migração, defendeu ação internacional conjunta baseada em acolhimento, proteção e integração, além de combate às causas como guerras, pobreza e crise climática. A rota das Ilhas Canárias registrou mais de 3 mil mortes em 2025, segundo ONGs.
Questionado em meio ao debate sobre incluir o aborto na Constituição espanhola, reafirmou: “Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida, desde a concepção até seu fim natural”. A eutanásia é permitida na Espanha.
A agenda inclui bênção de uma torre da Sagrada Família, em Barcelona, e encerramento nas Ilhas Canárias.








