O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, 17/09/2026. Com a decisão unânime, os juros básicos caíram de 14,5% para 14,25% ao ano. É o terceiro corte consecutivo, desde o início do ciclo de afrouxamento em março, quando a taxa estava em 15%.
A reunião foi comandada pelo presidente Gabriel Galípolo com quórum reduzido: 6 diretores. Dos 8 encontros previstos para 2026, 4 já ocorreram com dois cargos vagos no colegiado.
Sinal de cautela para frente
No comunicado, o Copom evitou dar direção clara para os próximos passos. Afirmou que o tamanho total do ciclo de cortes “será estabelecido à luz de novas informações” para levar a inflação à meta. Mas já indicou preferência por ritmo mais suave.
O comitê passou a mirar o 1º trimestre de 2028 em vez do fim de 2027 para a convergência da inflação. A mudança abre espaço para novo corte de 0,25 p.p. na reunião de 4 e 5 de agosto, sem comprometer a meta futura.
Inflação acelera e meta se afasta
A decisão veio com o IPCA em 4,72% em 12 meses até maio, acima do teto da meta de 4,5%. Pela primeira vez desde outubro de 2025. As projeções internas do BC pioraram: inflação estimada em 5,2% para 2026 e 3,7% para 2027. O Focus aponta 5,3% neste ano e 4,1% em 2027.
O Copom reconheceu aceleração da atividade no 1º trimestre e mercado de trabalho resiliente. Mas incluiu o risco fiscal como fator de pressão sobre preços. Citou diretamente os “estímulos à demanda agregada, em particular ao consumo” anunciados pelo governo Lula, como o novo Desenrola e expansão de crédito. Para o comitê, isso enfraquece a política monetária.
Cenário externo também preocupa
O comitê classificou o ambiente externo como “incerto”. Citou a indefinição sobre o acordo de cessar-fogo no Oriente Médio e os riscos do El Niño para safra e energia. Nos EUA, o Fed manteve juros entre 3,5% e 3,75% na primeira reunião sob Kevin Warsh. O diferencial Brasil-EUA está em 10,5 p.p.
Economistas avaliam que o BC optou por cortar, como o mercado já esperava. Das 34 instituições ouvidas pela Bloomberg, 31 previam redução a 14,25%. Só 3 apostavam em manutenção.








